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HBO: Chernobyl – Crítica

A série produzida pela HBO foi sem dúvida uma das maiores surpresas do ano em termos e qualidade de produção e temática, que provavelmente vai entrar para a lista de uma das melhores produções da empresa. Mas o que faz dela tão impressionante? Nesse texto vamos falar um pouco a respeito do que mais chamou atenção na obra criada por Craig Mazin.

Primeiramente é difícil conhecer alguma pessoa que não conheça o maior desastre nuclear da história da humanidade e suas consequências, principalmente para os moradores da pacata Pripyat, a cidade mais afetada pela tragédia, que até hoje se mantém isolada e inabitada pelo perigo da radiação. Provavelmente a maioria das pessoas já leu ou viu algum filme ou documentário a respeito do ocorrido na tragédia de 1986.

Diferente de outras produções a HBO fez um trabalho incrível de pesquisa e reconstrução dos fatos que culminaram na explosão do reator RBMK, isso somado a um roteiro quase impecável (mesmo que com algumas licenças poéticas), resultaram numa obra prima sobre o acidente.

Antes de qualquer coisas precisamos analisar alguns aspectos. O primeiro ponto é que a série é um produto americano abordando questões do seu maior adversário, governo russo, que na época protagonizavam um dos maiores conflitos da história, a Guerra Fria.

É nesse ponto que a série da HBO mais se destaca, pois ela não retrata os russos como uma entidade única vilanesca, como são tratados na maioria das produções norte-americanas. Pelo contrário, a série em sua maior parte é contada do ponto de vista de heróis russos, que vão desde os cientistas, bombeiros até os mineiros que sacrificaram suas vidas em prol do bem maior.

A produção também traz uma série de reflexões sobre a humanidade em si e todo seu egocentrismos sobre nossa supremacia tecnológica. Essa reflexão é trazida pra nós através das atitudes tanto do governo russo quando dos responsáveis pela manutenção da usina. Que por sua vez foram negligentes em diversos aspectos, simplesmente por acharem suas decisões à prova de falhas.

O RBMK é um reator que não explode“. Essa frase foi sem dúvida a mais dita e defendida pelos responsáveis e pelo governo russo. Assim como o Titanic era uma navio que não afunda, o RBMK era uma reator que não explode, são apenas alguns exemplo de como algo supostamente a prova de falhas eventualmente podem falhar por negligencia dos responsáveis.

E foi justamente desse ponto que foi construída toda a narrativa da trama. Em uma busca por respostas o trio formado por  Jared Harris (Valery Legasov), Stellan Skarsgård (Boris Shcherbina) e Emily Watson (Ulana Khomyuk), se juntam para entender o que de fato desencadeou a falha no reator RBMK.

Em paralelo a toda essa investigação, acompanhamos todo o esforço da sociedade e do governo na tentativa, muitas vezes frustradas, de tentar conter os danos causados pela catástrofe nuclear. Com destaque a reprodução incrível da cidade de Pripyat, por parte da direção de arte, e a lendária evacuação do moradores que tiveram que abandonar suas casas sem nenhum aviso prévio.

Esse fato é algo que surpreende até hoje os turistas que visitam o local. Que mesmo mais de 30 anos do acidente, ainda é possível ver sinais dessa decisão desesperada, como pratos a mesa, brinquedos de criança pelas ruas, tudo ainda intocado por conta da contaminação por radiação.

Para finalizar de forma magistral a trama, temos a apresentação de Legasov no tribunal, reconstruindo todos fatos que resultaram na explosão do reator nuclear. Nela é traçado um paralelo com o início da série, desvendando o mistério e encontrado os culpados por uma das maiores catástrofes causada pelo homem.

Em conclusão, a série produzida pela HBO, é umas das produções que melhor aborta os fatos em torno do acidente em Chernobyl, e é indispensável para quem busca conhecer um pouco mais de alguns fatos históricos em geral.

Mas fica um alerta, o compromisso com a realidade na série é tão grande, que torna algumas cenas até mesmo difíceis de se ver, como por exemplo, o efeito da radiação sobre o corpo humano retratado na produção.

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